Entretenimento de um jeito diferente

Oxente! Baiano faz sucesso vendendo Acarajé em Sampa

Waldemar Junior, ou Junior, como ele gosta de ser chamado, ainda era um adolescente quando sua família se mudou de Salvador para São Paulo. Passou por inúmeras dificuldades e atividades, mas acabou se encontrando em algo tão comum no seu dia a dia, a culinária. Especializou-se nos quitutes da Bahia, mais precisamente no acarajé, produto que fazia apenas para os amigos próximos, em encontros com outros baianos, dentre os inúmeros que vivem em Sampa. O sucesso foi tanto, que não tardou o inevitável, produzir para comercializar. No inicio para os amigos, depois distribuindo para bares e restaurantes, e agora foi convidado para oferecer seus produtos a um grande restaurante em Higienópolis durante a semana de consciência negra em novembro. Conheçam um pouco de Junior:

  • Você nasceu em Itapetinga e se mudou muito cedo para Salvador. Quais são suas lembranças desse tempo?

Waldemar Junior faz sucesso com um Acarajé soteropolitano em plena capital paulista
“De Itapetinga não me lembro de nada, saí de lá com seis meses. De Salvador são todas as minhas primeiras lembranças. Acho que hoje, morando tanto tempo longe, o que mais me leva a viajar mentalmente à Salvador são os cheiros. O cheiro das comidas enquanto andava pela rua, o cheiro do carvão dos tachos de acarajé, o cheiro da maresia. Mas me lembro também da infância solta na casa dos meus tios  no bairro do Cabula e das cores. Salvador era uma cidade, pra mim, acima de tudo colorida. Quando cheguei a São Paulo, aos treze anos, esse foi o meu primeiro choque, o cinza.”

  • Como foi a sua ida para São Paulo?

“Sou de uma família de cinco irmãos, cujo o mais novo tem quatorze anos a mais que eu. Os dois mais velhos já moravam em São Paulo, quando minha mãe, uma dessas nordestinas que carregam o mundo nas costas, “convenceu” meu pai  de que o melhor pra todos era nos unirmos aqui. E hoje acho que ela estava certa. Era o começo da década de oitenta e meus pais, depois de terem uma vida tranquila no interior, tinham perdido essa condição. Chegaram em Salvador e montaram um pensionato mas a vida não era fácil.”

  • Foi fácil se adaptar?

“Não. Cheguei na adolescência e nessa fase queremos fazer parte de um grupo, o sotaque era  a principal barreira. Adolescente paulista naquela época achava que em Salvador se andava de charrete (risos).”

  • Quando começou o interesse pela cozinha?

“Através da minha mãe. Por ser o filho mais novo eu era o “faz tudo”. Minha mãe pra se virar, se desdobrava, fazia biscoitinhos, artesanato, chinelos, e cozinhava bastante. Aprendi meio que sem querer.”

  • Quais são os sabores que mais te inspiram?

“Adoro cozinha nordestina. Gosto também da japa, mas a minha cozinha tem um peso muito mais afetivo e de afirmação. Eu quero apresentar o meu lugar às pessoas através dos sabores.”

  • Quando começou a história do acarajé?

“Eu já tinha tido contato com a cozinha quando fui por um bom tempo comprador de alimentos e bebidas de uma rede de hotéis. Nessa época eu vivia nas cozinhas dos restaurantes do Hotel, mesmo depois do expediente. Aquilo me fascinava. Depois de um longo período como taxista a cozinha novamente  me chamou através dos amigos e parentes que estavam sempre pedindo um acarajé.”

  • Você consegue encontrar com facilidade os ingredientes em São Paulo?

“Aqui se encontra de tudo. Eu sempre brinco que se não encontrar algo em São Paulo é porque não existe. O único problema é o camarão seco que aqui encontramos o salgado, mas esta longe da qualidade ideal.”

  • E o nome “Medida do Bonfim” de onde veio a idéia?

“Minha irmã Roca. Ela trouxe o nome e eu adorei. Primeiro porque remete a música do Chico (Trocando em Miúdos, Chico Buarque) e depois porque cria essa possibilidade de explicar que a fita do Senhor do Bonfim também se chama medida do Bonfim e as pessoas adoram essa descoberta. (As famosas fitinhas do Senhor do Bonfim, eram conhecidas como medida do Bonfim, o seu nome devia-se ao fato de que media exatos 47 centímetros de comprimento, a medida do braço direito da estátua de Jesus Cristo, Senhor do Bonfim, postada no altar-mor da igreja mais famosa da Bahia).”

  • Qual é seu publico e pra quem você distribui?

“Por enquanto, atendemos  como “street food”, próximo de como se tem em Salvador.   Na Rua Fábia 741, na Vila Romana, todos os domingos das 10h às 19h. Servimos Acarajé, dadinho de tapioca com geléia de pimenta, pudim de tapioca, fritada de siri e varias “biritinhas”.”

Vatapá, Dadinho de Tapioca e o famoso Acarajé de Junior
“Nosso público é bem diverso. Atendo desde o baiano que mora aqui e está saudoso, até quem nunca comeu e descobre um novo sabor. Mas tenho que ressaltar que esse espaço, de uma forma espontânea, tem se tornado um lugar de celebração das diversidades e isso é a cereja do bolo. Mas nosso forte são as distribuições em restaurantes e eventos, que fazemos bastante.”

  • Já que disse “por enquanto”, há perspectivas de aumentar a clientela? E qual o próximo passo?

“Só penso nisso. (risos). Estamos nos estruturando para isso. O objetivo é abrirmos uma loja física, somente nossa, em que possamos atender durante toda a semana.”

  • Se os internautas de São Paulo quiserem provar ou encomendar os acarajés e outros quitutes da “Medida do Bonfim” como eles devem proceder?

“Podem nos seguir no Facebook na página medida do Bonfim, no Instagram: @medidadobonfim e podem fazer contato também pelo Tel/zap (11) 9 9649 – 8231 com Junior. Ou se quiserem provar alguns dos sabores da Bahia e encontrar gente bacana, podem vir na Vila Romana aos domingos que serão muito bem recebidos.”